Borboleta

Caro amigo,

As pessoas devem mesmo pensar que eu não sei o que fazer em determinadas situações. Elas vêm cheias de conselhos, dicas e manhas para eu seguir o rumo certo e ter atitudes que realmente vão me convir.

Não que eu não goste desse tipo de apoio ou ajuda. Eu gosto. Porém, o que realmente me incomoda, é perceber que eu tenho consciência de tudo o que devo fazer, mas simplesmente não o faço.

Tenho consciência de que tanto eu, como o resto do mundo, sabemos quais são as escolhas certas para lidar com o problema x ou com o problema y e, mesmo assim, eu continuo escolhendo a forma errada para resolver a minha vida.

Eu não sei, caro amigo, se você já passou por algo assim. Se não passou, preste bem atenção no que eu vou te dizer: se tanto o seu eu, como as pessoas ao seu redor, estão te aconselhando as mesmas coisas, faça isso.

Estou ciente de que, muitas vezes, nós preferimos nos exaltar, e gritar, e chorar. Nós gostamos de ser dramáticos de vez em quando – eu, pelo menos, gosto de ser dramática quase sempre.

Entretanto, nem só de drama viverá o homem. Aliás, o drama quase sempre vai te levar para um rumo que só aumentará a sua vontade de chorar, gritar e fazer ainda mais drama.

E dramas não resolvem nada.

E eu já sei disso. E continuo fazendo.

Dizer que estou farta de ser uma bomba emocional, é pouco. Na verdade, venho tentando não explodir – embora seja muito difícil conter uma bomba que já está explodindo.

Mas, sinceramente, eu estou tentando e, bom, é aqui que eu queria chegar com você, caro amigo. É nesse ponto dessa carta que eu esperava chegar. E por quê?

Estamos tão ocupados sofrendo nossas dores, culpando-nos por certos problemas, ou realmente errando sucessivamente nas mesmas coisas, porque não somos fortes o suficiente para aderir uma mudança de atitudes nas nossas vidas.

Estamos mergulhados em problemas com soluções tão simples, mas que não solucionamos, porque não nos permitimos mudar, aceitar e transformar.

E, sinto muito, caro amigo, mas a vida é um grande ciclo de mudança, aceitação e transformação. Nós não somos programados pra cair. Nós fomos feitos para durar, para ensinar, para aproveitar as coisas boas que existem; fomos feitos para viver.

E se você não tem se sentido vivo, se os seus problemas estão te afogando pouco a pouco, e as pessoas te aconselham e o seu interior clama por atitudes diferentes e concretas: faça-o.

Por favor, caro amigo, se você brigou com sua mãe, com seu pai, com seu irmão, seu amigo ou sua parceira; se você não está bem num emprego, ou no seu curso da faculdade; se você, simplesmente, não está de bem consigo mesmo: não pense que é o fim do mundo.

Sempre haverá um jeito de retornar e refazer. Sempre haverá uma solução. Basta seguir os bons conselhos e seu próprio instinto. Eu sei que você sabe o que é melhor pra você. E eu tenho fé de que você vai fazer valer a pena.

E depois dessa transformação, você não vai querer ser o mesmo.

Afinal, nenhuma borboleta quer voltar a ser lagarta.

Com amor,

Lola Miranda.

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