Subconsciente

Caro amigo,

Você já acordou desesperado por conta de um sonho ruim? Já levou a sério algo abstrato e incerto? Já se sentiu mal do nada, sem nenhum motivo aparente? Eu ando passando muito por isso, e acreditando demais no meu subconsciente, mesmo eu tendo ciência do quão traiçoeiro ele pode ser.

E ele é.

Quantas noites em claro eu passei, sendo obrigada a ver e rever situações constrangedoras, frustrantes e tristes, que pensava ter superado, ou mesmo esquecido na imensidão que existe dentro de mim.

Estou muito farta de pensar nessas coisas ruins, caro amigo.

Isso parece tão lamentável, que estou na dúvida sobre a qualidade dessa carta. E peço desculpas por isso. E não sei se eu estou realmente não gostando do que escrevo ou se, mais uma vez, é o meu subconsciente pregando uma peça no meu emocional.

Você não serve pra nada, você não é boa o bastante.

Não sei você, caro amigo, mas acredito que exista muita gente aí fora passando pelas mesmas coisas que eu. Estamos tão ligados nessa tal vida cibernética, que prega a perfeição, que exige de você o corpo e o estilo de vida ideais e isso tem feito muita gente viver de fachadas alegres, com interiores constantemente insatisfeitos.

Estamos todos, a todo o momento, insatisfeitos com alguma coisa, olhando para a grama do vizinho e se perguntando o porquê de ela estar sempre mais verde que a sua. O porquê de você nunca ser tão bom quanto fulano ou ciclano.

Isso é tão cruel, e tão errado.

E tão ridículo.

Então, aí vai um bom e velho clichê: ninguém é melhor que ninguém. Eu não sou melhor que você, nem aquela pessoa cuja vida parece ser perfeita é melhor do que eu. Somos todos igualmente e suficientemente bons.

E, se for para sermos melhores quanto alguma coisa, que sejamos tão bons quanto toda essa ideologia. Tão bons quanto o nosso subconsciente traiçoeiro. Sejamos tão capazes quanto nós mesmos.

O que nos falta é garra, é força de vontade e amor próprio. O que nos falta é nos valorizarmos antes de pensar em valorizar qualquer outra coisa/pessoa/situação. E isso não é egoísmo, caro amigo. Muito pelo o contrário! Erramos muito dando ouvidos às coisas ruins, absorvendo críticas e se entregando demais às pessoas (na maioria das vezes, erradas).

E nos esquecemos de nós.

Esquecemos dos passatempos, de fazermos o que gostamos. Precisamos ocupar mais as nossas mentes com atividades produtivas, que engrandecem a alma e renovam o espírito. Precisamos dar mais ouvidos à nossa sensibilidade positiva, deixando de lado qualquer rastro da negatividade oportunista.

Não seja uma marionete do seu próprio subconsciente, caro amigo.

E, principalmente, não seja uma marionete do seu próprio eu.

Com amor,

Lola Miranda.

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