Neura

Caro amigo,

Já te falaram pra levar a vida com mais tranquilidade e encarar as coisas com mais paciência? Eu ouço bastante isso, e tento botar em prática sempre que posso, embora em alguns momentos seja, simplesmente, impossível.

Sou uma pessoa neurótica, e quando coloco algo na cabeça, a preocupação se torna tão constante a ponto de eu não conseguir produzir nada além do básico e essencial: comer e dormir.

E isso é tão horrível.

Afinal, pra que se atentar tanto por algo que as vezes nem se concretizou? Por que perder um tempo tão precioso com algo tão não saudável? Digo isso, pois é assim que eu vejo uma neura. E, pelo visto, o dicionário concorda com o meu pensamento.

 “Adjetivo que indica extremismo social. Uma mania extrema, um gosto exacerbado, uma psicose, pensamento limitado, esquizofrenia social, mania de perseguir, ideia fixa, aporrinhamento, pessoa chata, pessoa que incomoda, fixação, intolerante, excentricidade maníaca.”

Às vezes – ou quase sempre? – nós damos valor demais a certas coisas que não convém. Criar problemas que só existem nas nossas cabeças se tornou um péssimo hábito. Alimentar sentimentos negativos, sentimentos de que tudo aquilo vai dar errado, tornou-se um péssimo hábito.

E nos esquecemos de viver.

Esquecemos que existe um mundo lá fora, e que ele só existe porque pessoas se arriscaram. E ele continua existindo, porque as pessoas ainda estão colocando suas caras a tapa, entende?

Não estou dizendo a você, caro amigo, para pular de qualquer penhasco. Não me entenda mal. Eu quero que você aprenda a dizer não quando achar que não está pronto, ou que realmente não é o certo.

Porém, não deixe de dizer sim.

Não deixe de ser otimista.

E não deixe de aproveitar os momentos por medo do que possa acontecer. Tudo o que acontece, é porque devia mesmo acontecer. Pra cada folha que cai, cada onda do mar, cada pássaro que canta, existe um propósito.

E neuras são neuras, e nós somos nós.

E somos melhores que elas. Tão melhores, tão maiores, que se preocupar demais é idiotice. É se rebaixar diante um mundo de possibilidades. De riscos que – aceite! – nós devemos correr vez ou outra.

Tudo isso te faz crescer, caro amigo. Eu ando me convencendo disso, e por isso estou aqui tentando te convencer disso também. Talvez quando eu te convencer, eu também estarei convencida. E a neura, vencida.

Com amor,

Lola Miranda.

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