Sobre o amor

São essas pequenas coisas, as idas e vindas, as palavras soltas e jogadas ao vento. São esses olhares indiscretos, fingindo alguma discrição, que fazem de um coração, nada além de pedaços; e dos joelhos, o samba insistente.

São os pequenos detalhes, os sorrisos modestos, os cumprimentos logo pela manhã. O perfume marcante, que gruda na pele gelada de um dia úmido de quarta-feira.

São todas essas bobagens que dizemos, que fazemos. São todos os momentos inesquecíveis, quase indescritíveis. São todas essas coisas que fazem um coração pulsar cada vez mais, e mais rápido.

São todos esses clichês, o drama incansável, a dúvida cruel, o beijo aguardado, o abraço roubado. É tudo isso que nos faz viver, nos faz querer, nos faz lutar. É tudo isso que nos faz amar.

(Trechos retirados do meu baú de memórias)

Borboleta

Caro amigo,

As pessoas devem mesmo pensar que eu não sei o que fazer em determinadas situações. Elas vêm cheias de conselhos, dicas e manhas para eu seguir o rumo certo e ter atitudes que realmente vão me convir.

Não que eu não goste desse tipo de apoio ou ajuda. Eu gosto. Porém, o que realmente me incomoda, é perceber que eu tenho consciência de tudo o que devo fazer, mas simplesmente não o faço.

Tenho consciência de que tanto eu, como o resto do mundo, sabemos quais são as escolhas certas para lidar com o problema x ou com o problema y e, mesmo assim, eu continuo escolhendo a forma errada para resolver a minha vida.

Eu não sei, caro amigo, se você já passou por algo assim. Se não passou, preste bem atenção no que eu vou te dizer: se tanto o seu eu, como as pessoas ao seu redor, estão te aconselhando as mesmas coisas, faça isso.

Estou ciente de que, muitas vezes, nós preferimos nos exaltar, e gritar, e chorar. Nós gostamos de ser dramáticos de vez em quando – eu, pelo menos, gosto de ser dramática quase sempre.

Entretanto, nem só de drama viverá o homem. Aliás, o drama quase sempre vai te levar para um rumo que só aumentará a sua vontade de chorar, gritar e fazer ainda mais drama.

E dramas não resolvem nada.

E eu já sei disso. E continuo fazendo.

Dizer que estou farta de ser uma bomba emocional, é pouco. Na verdade, venho tentando não explodir – embora seja muito difícil conter uma bomba que já está explodindo.

Mas, sinceramente, eu estou tentando e, bom, é aqui que eu queria chegar com você, caro amigo. É nesse ponto dessa carta que eu esperava chegar. E por quê?

Estamos tão ocupados sofrendo nossas dores, culpando-nos por certos problemas, ou realmente errando sucessivamente nas mesmas coisas, porque não somos fortes o suficiente para aderir uma mudança de atitudes nas nossas vidas.

Estamos mergulhados em problemas com soluções tão simples, mas que não solucionamos, porque não nos permitimos mudar, aceitar e transformar.

E, sinto muito, caro amigo, mas a vida é um grande ciclo de mudança, aceitação e transformação. Nós não somos programados pra cair. Nós fomos feitos para durar, para ensinar, para aproveitar as coisas boas que existem; fomos feitos para viver.

E se você não tem se sentido vivo, se os seus problemas estão te afogando pouco a pouco, e as pessoas te aconselham e o seu interior clama por atitudes diferentes e concretas: faça-o.

Por favor, caro amigo, se você brigou com sua mãe, com seu pai, com seu irmão, seu amigo ou sua parceira; se você não está bem num emprego, ou no seu curso da faculdade; se você, simplesmente, não está de bem consigo mesmo: não pense que é o fim do mundo.

Sempre haverá um jeito de retornar e refazer. Sempre haverá uma solução. Basta seguir os bons conselhos e seu próprio instinto. Eu sei que você sabe o que é melhor pra você. E eu tenho fé de que você vai fazer valer a pena.

E depois dessa transformação, você não vai querer ser o mesmo.

Afinal, nenhuma borboleta quer voltar a ser lagarta.

Com amor,

Lola Miranda.

Limões

Caro amigo,

Se a vida lhe der limões, não faça uma limonada. Faça uma bela caipirinha e se embriague com a sorte que, felizmente, sorriu para você. Festeje. Afinal, não é todo dia que limões nos são entregues de mãos beijadas.

Entretanto, eu sei bem que nem todos recebem limões assim. Sei bem que a maioria de nós tem de ralar muito para conquistar qualquer coisa na vida. E é justamente por saber disso, que venho te pedir, caro amigo, para não se desesperar.

E não desistir.

Por mais que estejamos passando por tempos difíceis, e que os últimos meses não tenham sido nada fáceis, sempre haverá esperança para quem escolhe perseverar. E não diga que estou afirmando isso por estar nadando em benevolências – porque eu não estou.

Acordar e perceber que muitas das coisas que desejo ainda não são palpáveis ou possíveis, machuca. Uma tortura interna que poucos são capazes de entender. E admito que, às vezes, penso em largar todo o progresso que tenho feito, por parecer pouco, pequeno e insignificante demais. Mas eu sei que não é isso que devo fazer.

Não é isso que devemos fazer.

O que quero dizer, é que abandonar o barco não deve ser uma opção para quem tem sonhos lindos e dignos. E eu sei, caro amigo, que você tem sonhos lindos e dignos. E espero, do fundo da minha alma, que todos eles possam se tornar realidade. Plenamente, amplamente e divinamente reais.

Sabe por quê? Porque todos nós somos merecedores do melhor que essa vida pode oferecer. Então, lutemos por tudo isso. O sucesso não vai vir da noite para o dia – aceite. Porém, ele vem para quem se entrega ao que realmente quer. Para quem se entrega aos seus objetivos.

E luta. E se esforça. E não desiste.

Para essas pessoas, os limões são sempre maiores, melhores.

E muito mais gratificantes.

Com amor,

Lola Miranda.

Ainda não sou eu

Caro amigo,

Eu costumava ser uma pessoa melhor – e mais feliz. Não sei onde e nem quando comecei a errar, mas sei que algo não está nada certo na minha vida e nas minhas atitudes. Eu não estou me reconhecendo mais.

E não sei se alguém, além de mim, pode me ajudar. Tornei-me uma pessoa que só afasta as outras, que se cansa facilmente dos assuntos e que vem, cada dia mais, desistindo de viver. Literalmente falando.

O que é tão errado.

Eu não sei, caro amigo, se você acredita em Deus. Eu não sei, caro amigo, no que é que você acredita, porém eu creio nEle. Creio no poder e na justiça dEle. Constantemente, estou recorrendo a Ele, ainda que silenciosamente.

E mesmo com tantas bençãos, cogito abrir mão do maior presente que Ele pode nos dar. E mesmo com tantos livramentos, tanto amor, estou escolhendo não ser a pessoa que eu sei que Ele quer que eu seja. A  pessoa que eu preciso ser.

Não cometa esse mesmo erro, caro amigo.

Independentemente do que você crê, o que eu te digo é: escolha seguir algo que te edifique, que te transborde em paz, saúde e amor. Que te transborde em felicidade. E não estou falando de positividade ilusória – não estou falando de noites agitadas, de muita farra e fazer as vontades da carne.

Estou tentando te mostrar, caro amigo, que antes de qualquer coisa, você deve purificar seu espírito, abrir sua mente e respirar fundo nos momentos de tensão. Não desista perante os desafios, não deixe de acreditar que a vida pode e vai ser melhor. E, principalmente, não deixe de ser a pessoa que você crê que pode ser.

Ele quer me ver bem, quer me ver propagando o bem e sendo uma pessoa sábia. Ele quer que eu seja um ser humano de luz, um ser humano de calmarias, e não de tempestades. E, se essa é a vontade dEle, é a minha também. E eu, caro amigo, espero que essa também seja a sua vontade a partir de agora.

Afinal de contas, se ainda não somos nós, precisamos mudar.

Para melhor.

Com amor,

Lola Miranda.

Subconsciente

Caro amigo,

Você já acordou desesperado por conta de um sonho ruim? Já levou a sério algo abstrato e incerto? Já se sentiu mal do nada, sem nenhum motivo aparente? Eu ando passando muito por isso, e acreditando demais no meu subconsciente, mesmo eu tendo ciência do quão traiçoeiro ele pode ser.

E ele é.

Quantas noites em claro eu passei, sendo obrigada a ver e rever situações constrangedoras, frustrantes e tristes, que pensava ter superado, ou mesmo esquecido na imensidão que existe dentro de mim.

Estou muito farta de pensar nessas coisas ruins, caro amigo.

Isso parece tão lamentável, que estou na dúvida sobre a qualidade dessa carta. E peço desculpas por isso. E não sei se eu estou realmente não gostando do que escrevo ou se, mais uma vez, é o meu subconsciente pregando uma peça no meu emocional.

Você não serve pra nada, você não é boa o bastante.

Não sei você, caro amigo, mas acredito que exista muita gente aí fora passando pelas mesmas coisas que eu. Estamos tão ligados nessa tal vida cibernética, que prega a perfeição, que exige de você o corpo e o estilo de vida ideais e isso tem feito muita gente viver de fachadas alegres, com interiores constantemente insatisfeitos.

Estamos todos, a todo o momento, insatisfeitos com alguma coisa, olhando para a grama do vizinho e se perguntando o porquê de ela estar sempre mais verde que a sua. O porquê de você nunca ser tão bom quanto fulano ou ciclano.

Isso é tão cruel, e tão errado.

E tão ridículo.

Então, aí vai um bom e velho clichê: ninguém é melhor que ninguém. Eu não sou melhor que você, nem aquela pessoa cuja vida parece ser perfeita é melhor do que eu. Somos todos igualmente e suficientemente bons.

E, se for para sermos melhores quanto alguma coisa, que sejamos tão bons quanto toda essa ideologia. Tão bons quanto o nosso subconsciente traiçoeiro. Sejamos tão capazes quanto nós mesmos.

O que nos falta é garra, é força de vontade e amor próprio. O que nos falta é nos valorizarmos antes de pensar em valorizar qualquer outra coisa/pessoa/situação. E isso não é egoísmo, caro amigo. Muito pelo o contrário! Erramos muito dando ouvidos às coisas ruins, absorvendo críticas e se entregando demais às pessoas (na maioria das vezes, erradas).

E nos esquecemos de nós.

Esquecemos dos passatempos, de fazermos o que gostamos. Precisamos ocupar mais as nossas mentes com atividades produtivas, que engrandecem a alma e renovam o espírito. Precisamos dar mais ouvidos à nossa sensibilidade positiva, deixando de lado qualquer rastro da negatividade oportunista.

Não seja uma marionete do seu próprio subconsciente, caro amigo.

E, principalmente, não seja uma marionete do seu próprio eu.

Com amor,

Lola Miranda.

Neura

Caro amigo,

Já te falaram pra levar a vida com mais tranquilidade e encarar as coisas com mais paciência? Eu ouço bastante isso, e tento botar em prática sempre que posso, embora em alguns momentos seja, simplesmente, impossível.

Sou uma pessoa neurótica, e quando coloco algo na cabeça, a preocupação se torna tão constante a ponto de eu não conseguir produzir nada além do básico e essencial: comer e dormir.

E isso é tão horrível.

Afinal, pra que se atentar tanto por algo que as vezes nem se concretizou? Por que perder um tempo tão precioso com algo tão não saudável? Digo isso, pois é assim que eu vejo uma neura. E, pelo visto, o dicionário concorda com o meu pensamento.

 “Adjetivo que indica extremismo social. Uma mania extrema, um gosto exacerbado, uma psicose, pensamento limitado, esquizofrenia social, mania de perseguir, ideia fixa, aporrinhamento, pessoa chata, pessoa que incomoda, fixação, intolerante, excentricidade maníaca.”

Às vezes – ou quase sempre? – nós damos valor demais a certas coisas que não convém. Criar problemas que só existem nas nossas cabeças se tornou um péssimo hábito. Alimentar sentimentos negativos, sentimentos de que tudo aquilo vai dar errado, tornou-se um péssimo hábito.

E nos esquecemos de viver.

Esquecemos que existe um mundo lá fora, e que ele só existe porque pessoas se arriscaram. E ele continua existindo, porque as pessoas ainda estão colocando suas caras a tapa, entende?

Não estou dizendo a você, caro amigo, para pular de qualquer penhasco. Não me entenda mal. Eu quero que você aprenda a dizer não quando achar que não está pronto, ou que realmente não é o certo.

Porém, não deixe de dizer sim.

Não deixe de ser otimista.

E não deixe de aproveitar os momentos por medo do que possa acontecer. Tudo o que acontece, é porque devia mesmo acontecer. Pra cada folha que cai, cada onda do mar, cada pássaro que canta, existe um propósito.

E neuras são neuras, e nós somos nós.

E somos melhores que elas. Tão melhores, tão maiores, que se preocupar demais é idiotice. É se rebaixar diante um mundo de possibilidades. De riscos que – aceite! – nós devemos correr vez ou outra.

Tudo isso te faz crescer, caro amigo. Eu ando me convencendo disso, e por isso estou aqui tentando te convencer disso também. Talvez quando eu te convencer, eu também estarei convencida. E a neura, vencida.

Com amor,

Lola Miranda.

Enamorado

Caro amigo,

Ouvi boatos de que a melancolia nos faz produzir obras de arte melhores. Que escrever se torna uma tarefa mais prazerosa quando se está triste, e desolado. Devo dizer que eu concordo com esse pensamento.

Porém, acrescento.

Antes, eu não acreditava que o estado de euforia nos capacitasse a reproduzir algo tocante. Hoje, vejo que estou errada. Sentimentos bons podem e vão nos inspirar na mesma medida em que sentimentos ruins vão nos afetar negativamente se assim permitirmos.

Sinceramente falando, eu estou apaixonada. Amando. Estou em um constante estado enamorado e gosto muito dessa palavra.

Enamorar. Parece tão mais sincero que, simplesmente, namorar. Talvez realmente seja, afinal, enamorar não é um status, nem uma condição: é uma forma de sentir. E não dá para sentir algo que não é sentido, algo que não existe.

Mas eu ando sentindo, e tudo isso existe e me encanto cada dia mais por pequenas atitudes e gestos simples. O inesperado tem se tornado tão belo e, se quer saber, caro amigo, esse é o meu segredo para viver bem.

E não, eu não sou a pessoa mais otimista do mundo. Na verdade, sou bastante pessimista – entretanto, acredito que nós somos o que escolhemos para nós sermos.

E eu escolhi ser do bem.

Fazer o bem, transmitir o bem. E, principalmente, escolhi estar com quem possa me transmitir essa mesma paz e conforto. Quero pessoas que me ajudem a elevar o espírito, e a sorrir constantemente, mesmo que vez ou outra lágrimas rolem.

Afinal, elas precisam rolar.

Mas não se esqueça, caro amigo, que nós precisamos também perdoar e seguir com a vida. Entrar num consenso, debater, dialogar, resolver os problemas, e nos enamorar. E enamorando nós produzimos belos textos, imagens e canções.

Enamorados somos poetas

Canto, danço, faço acontecer

Enamorados somos mais

Do que só uma vontade de viver.

Com amor,

Lola Miranda.